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Economia da Atenção e Cultura do Consumo: Como o Brand Safety Evoluiu para Brand Suitability

economia da atenção

Nos últimos anos, o ambiente digital trouxe às marcas oportunidades inéditas de conexão com seu público, mas também riscos crescentes para sua reputação. O conceito de brand safety surgiu como resposta a essa necessidade de evitar que anúncios apareçam em contextos impróprios, como conteúdos de ódio, violência ou fake news. Contudo, o mercado percebeu que apenas garantir “segurança” não bastava: era necessário avançar para um patamar de adequação, em que cada marca define quais contextos são apropriados de acordo com seus valores, cultura e estratégia. Essa transição deu origem ao conceito de brand suitability.

Mais do que uma simples evolução técnica, trata-se de uma transformação que dialoga com o ambiente cultural, com a economia da atenção e com a própria cultura do consumo. Nesse contexto, as empresas precisam equilibrar performance, responsabilidade social e posicionamento ideológico, sobretudo diante de pressões políticas e legais cada vez mais intensas.


De Brand Safety para Brand Suitability: uma mudança estratégica

No início, brand safety era visto como uma medida reativa: impedir que anúncios fossem veiculados em ambientes potencialmente danosos à reputação. O objetivo era proteger as marcas de associações automáticas com conteúdos ofensivos. Essa visão, apesar de necessária, mostrava-se limitada. Muitas vezes campanhas eram bloqueadas em excesso, gerando perda de alcance e prejuízos financeiros.

O conceito de brand suitability surge então como resposta mais refinada. Em vez de apenas se preocupar com o que deve ser evitado, a adequação busca identificar onde e como a marca pode estar presente sem comprometer seus valores. É um movimento que reconhece que o contexto importa tanto quanto a mensagem, e que a coerência entre ambos gera confiança.

Essa mudança só é possível quando se entende que o consumo publicitário é também um consumo simbólico: não basta comunicar, é preciso garantir que os significados transmitidos estejam alinhados ao universo cultural que a marca deseja habitar.


A cultura do consumo e os significados das marcas

A transição de safety para suitability não é apenas técnica, mas profundamente cultural. A cultura do consumo molda como as pessoas interpretam a publicidade e como associam marcas a valores e estilos de vida.

Se antes bastava garantir que a marca não aparecesse ao lado de um conteúdo polêmico, hoje é preciso assegurar que o conteúdo esteja alinhado com a identidade simbólica da marca. Um anúncio pode ser seguro no sentido literal, mas inadequado em termos culturais. A cultura do consumo, portanto, atua como lente interpretativa, definindo o que é percebido como coerente ou incoerente, aceitável ou ofensivo.

Essa perspectiva exige que as marcas compreendam melhor os códigos culturais de seu público e utilizem a comunicação de forma estratégica para manter vínculos duradouros.


Economia da atenção: o novo campo de disputa

Vivemos em um cenário onde a economia da atenção é o recurso mais escasso. Plataformas digitais competem por segundos de concentração, e os usuários estão sobrecarregados por estímulos visuais, textuais e sonoros. Nesse ambiente, não basta apenas aparecer — é preciso aparecer no lugar certo, no momento certo e no contexto certo.

O risco de dispersar a mensagem em meio ao ruído informacional é enorme. Por isso, a adequação não trata apenas de evitar riscos reputacionais, mas também de otimizar o uso da atenção do consumidor. Uma campanha mal posicionada pode ser ignorada ou gerar rejeição imediata, enquanto uma campanha bem ajustada ao contexto cultural e ideológico pode capturar a atenção de maneira eficaz.

A economia da atenção, portanto, não é apenas um conceito abstrato: é o motor que impulsiona a necessidade de brand suitability. Afinal, se a atenção é limitada, desperdiçá-la em contextos inadequados é um luxo que nenhuma marca pode se dar.


Economia da atenção e governança da mídia digital

A adequação de marca também exige uma governança mais sofisticada do ecossistema de mídia. Diferentes atores — anunciantes, agências, plataformas e adtechs — precisam compartilhar responsabilidades para garantir não só a segurança, mas a adequação.

Nesse processo, a economia da atenção aparece como parâmetro de valor: anúncios devem ser distribuídos em contextos que maximizem relevância e minimizem ruído. Isso significa adotar tecnologias de inteligência artificial para analisar semântica, identificar riscos contextuais e, ao mesmo tempo, mapear oportunidades de engajamento.

Governança e atenção andam juntas: quem controla o contexto controla também a qualidade do tempo de exposição da marca.


Estudos de caso e exemplos práticos

Alguns exemplos ilustram como a adequação pode ser mais eficiente do que a segurança pura e simples. Durante a pandemia de COVID-19, muitas marcas bloquearam palavras-chave como “vírus” ou “pandemia”. Isso fez com que anúncios fossem retirados de reportagens jornalísticas sérias, limitando o alcance das campanhas. Outras marcas, no entanto, adaptaram sua estratégia: definiram critérios de adequação mais refinados, distinguindo conteúdos informativos de conteúdos alarmistas. O resultado foi maior engajamento e percepção positiva, justamente por estarem associadas à informação de qualidade.

Esse tipo de ajuste demonstra como a economia da atenção exige filtros mais inteligentes: não basta excluir, é preciso contextualizar.


Desafios na transição de safety para suitability

Apesar das vantagens, a mudança não é simples. Entre os principais desafios estão:

  • Escala vs. personalização: quanto mais refinados os filtros, maior a complexidade técnica e o custo.

  • Pressões políticas e legais: marcas precisam lidar com ambientes polarizados e legislações que variam por região.

  • Risco de boicotes: consumidores estão mais atentos e engajados, prontos a cobrar coerência das marcas.

  • Fraudes digitais: tráfego inválido e manipulação de dados ainda comprometem a qualidade da veiculação.

Esses desafios reforçam a importância de ferramentas sólidas de monitoramento, bem como de políticas internas claras que orientem a tomada de decisão.


Tendências futuras e o papel da economia da atenção

A evolução do conceito aponta para um futuro em que a economia da atenção se tornará ainda mais central. O uso de inteligência artificial e machine learning permitirá identificar contextos ideais em tempo real, ajustando campanhas de forma dinâmica. Além disso, veremos um movimento crescente em direção à personalização, onde cada marca define sua própria matriz de adequação com base em valores, públicos e objetivos específicos.

Outra tendência é o aumento da transparência: consumidores querem saber não apenas o que a marca diz, mas também onde ela escolhe aparecer. Essa escolha será cada vez mais percebida como um ato político e cultural, reforçando a ideia de que a publicidade é inseparável da cultura do consumo e da sociedade em que está inserida.


Conclusão

A transição de brand safety para brand suitability não é apenas técnica, mas estratégica e cultural. Em um mundo marcado pela economia da atenção e pela cultura do consumo, marcas que entendem o valor do contexto conseguem não apenas proteger sua reputação, mas também fortalecer vínculos com seus públicos.

Mais do que evitar riscos, trata-se de construir presença significativa em ambientes que ressoem com os valores da marca e que maximizem o impacto comunicacional. O futuro da publicidade digital dependerá da capacidade de equilibrar segurança, adequação, governança e relevância cultural.


Quer garantir que sua marca esteja sempre no contexto certo, alinhada à economia da atenção e protegida contra riscos reputacionais? Entre em contato pelo WhatsApp (11) 9.4396-5470 e agende uma consultoria personalizada para fortalecer sua presença digital com estratégias de brand suitability.

 
 
 

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